domingo, 26 de agosto de 2012

Receita de mulher.

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança,
qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize
elegantemente em azul,
como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso
que súbito tenha-se a
impressão de ver uma
garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só
encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas
que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso,
é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que
umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas,
e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras:
uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser frescas nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.


VINICIUS DE MORAES
O poema Receita de Mulher foi publicado em 1957. A edição original é disponibilizada on-line por Brasiliana USP, biblioteca digital mantida pela Universidade de S. Paulo no Brasil.

Os ignorantes


Quanto maior o ego...


sábado, 25 de agosto de 2012

Hoje é o Dia do Miojo


Dia do Miojo é comemorado em 25 de agosto, data em que o taiwanês naturalizado japonês Momofuku Ando criou o macarrão instantâneo, em 1958. Não é a primeira vez que falamos desta data no Blog do CuriocidadeNo ano passado, três chefs de restaurantes paulistanos criaram versões gourmet do macarrão. Agora, será lançado um livro com diferentes modos de preparo do prato.
‘Meu Miojo – Receitas e Histórias’ (R$ 39,90) reúne depoimentos de 14 chefs, como Carla Pernambuco (Carlota), Erick Jacquin (La Brasserie Erick Jacquin), Morena Leite (Capim Santo) e Flávia Mariotto (Mercearia do Conde). Eles contam sobre sua relação com o Nissin Lámen, conhecido no Brasil como “miojo” desde que começou a ser produzido, em 1965. Cada chef recebeu o desafio de criar uma variante gastronômica inusitada do alimento. O livro apresenta receitas como ‘Miojo ao burro e sálvia’ e ‘Miojo caramelizado com laranja e foie gras’.
A ideia da publicação partiu da agência F/Nazca em parceria com a Nissin. São apenas quatro mil exemplares, que serão lançados no dia 25/8, às 12h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. O valor arrecadado com direitos autorais será doado à ONG Banco de Alimentos.
Você é do tipo que acha miojo uma comida sem graça? Então veja a receita criada por Flávia Mariotto, da Mercearia do Conde. Com certeza, o macarrão vai ficar mais saboroso. Só há um problema: o preparo vai demorar mais de três minutos.
Miojo Mix com Chèvre, Rúcula, Gengibre, Maçã e Crocante de Presunto Cru
Ingredientes:
1/2 dente de alho picado cortado em lâminas
1/2 colher (chá) de gengibre cortado em laminas
1 colher (sopa) de azeite extra virgem
1 pacote de Nissin Miojo
1/2 maçã fuji cortada em palitos
10 folhas de rúcula picadas
60g de queijo de cabra frescal
1/2 colher (chá) de raspas de limão
30g de presunto cru crocante
Modo de Fazer:
Para fazer o presunto cru crocante, coloque as fatias cortadas em tiras em uma forma, leve ao forno à temperatura de 90°C durante aproximadamente 20 minutos até ficar crocante. Aqueça a frigideira, doure o alho e o gengibre no azeite. Junte o miojo já cozido, a maçã (reserve um pouco da maçã para enfeitar) e a rúcula. Coloque as maçãs, o queijo, as raspas de limão e o presunto cru. Sirva a seguir.
(Com colaboração de Míriam Castro e fotos de divulgação)

A força que você tem.



Você nunca sabe a força que tem, 

até que sua última alternativa é ser forte!

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JJ

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A vida é bela.


A vida é bela, como esta melodia (com André Rieu e orquestra).

http://www.youtube.com/watch?v=EE5FiCJ4vow

JJ

Não desista.



Nunca desista de alguém,

se você não consegue passar

um dia sequer sem pensar nele/nela.


Sabedoria popular

Obrigações da vida.


“A vida é cheia de obrigações 

que a gente cumpre por mais vontade 

que tenha de as infringir deslavadamente.”



Machado de Assis

A realidade...


Às vezes, só ouça.

Life...

O estímulo da paixão





A paixão é um estímulo. 

Significa nosso envolvimento intenso com o que fazemos ou com quem nos relacionamos, o que pode favorecer o desenvolvimento de nossas potencialidades intelectuais, morais, emocionais, criativas, artísticas e pessoais.

No entanto, a paixão se torna um mal quando abdicamos do discernimento, da razão, do bom senso, sustentando-a sem proveito real, sem utilidade legítima, sem benefícios, comprometendo-nos num comportamento irregular e até insano.

Paixão pode criar um grande futuro, ou arrastar à tragédia de um fracasso retumbante.

Grandes conquistas são fruto de uma grande paixão. 

Grandes fracassos, geralmente, também.

Pensem nisso.

Mas não deixem de se apaixonar...com os pés no chão.


JJ

Acredite


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Obstáculos.



Qualquer obstáculo não é motivo para desistir.

A nossa vida é cheia de obstáculos a serem superados, vencidos.

Quem desiste fácil não merece seguir em frente.

JJ

Comunicação de marketing inteligente, da Dove.

Foto: Afinal, números são apenas números. =P

Bom provérbio...

Foto

Cabe a mim.


História dos bordéis e cafetinas de Curitiba


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O jornalista, escritor e cartunista Dante Mendonça lança seu novo livro, “Maria Batalhão – Memórias Póstumas de uma Cafetina” (Editora Esplendor – 290 páginas), no dia 21 de setembro, sexta-feira das 17 às 21 horas, no Paço da Liberdade. Com a orelha assinada pelo escritor Deonísio da Silva (“deslumbrante e assombroso livro”), o cronista diário da Tribuna do Paraná abre uma a uma as gavetas da penteadeira de Maria Batalhão, onde repousam as mais íntimas recordações das gloriosas cafetinas da obra de Dalton Trevisan: Dinorá, que custeou a faculdade de muito doutorzinho; Otília, com seu bangalô de cor azul-calcinha; Alice, a fada negra que fervia no caldeirão água quentinha para as suas meninas; Uda, que às três da tarde recebia ungidos do Senhor; Ávila, a loira de novecentos quilos, parente de Jânio Quadros; quem era Madame Genet, que fez mais para imaginação dos curitibanos do que Alexandre Dumas ou Victor Hugo? Que fim levou a Francesa do Cachorrinho, que não era uma, mas eram muitas? Este curioso universo de paixões carnais, segredos e momentos picarescos da alma de nossa sociedade inominável, são a matéria-prima do ficcionista, cartunista e observador de costumes Dante Mendonça que, a rigor, recria com todos seus matizes, neste livro, a essência da vida das casas de tolerância.
Na linha do tempo de um século de prostíbulos, a cafetina faz os seus relatos um tanto inventados, um tanto exagerados, pois não há como estipular a fronteira entre a realidade e a ficção destas memórias  que se entrecruzam com episódios históricos, pitorescos e chocantes. Ao tempo em que sua própria história se confunde com a história de Curitiba, Maria Batalhão revive os hábitos e costumes daquela gente “contida” e “fria”, mas que, debaixo dos lençóis…, ah!, mudava totalmente de figura.
Imperdível, como todos os ótimos livros do Dante.
JJ

Somos todos iguais perante a lei?



Um dos fundamentos da democracia não está enraizado 

no país – é o sentimento de que somos iguais perante a lei. 

O cidadão brasileiro não se sente amparado pela lei.
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Fernando Henrique Cardoso
Ex-Presidente do Brasil