quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Se eu morrer antes de você...



"Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:
Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo.
Se não quiser chorar, não chore;
Se não conseguir chorar, não se preocupe;
Se tiver vontade de rir, ria;
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua
versão;
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me;
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de
santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam;
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de
demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo...
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
-"Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto!"
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que
morra como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura
aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu.
"Ser seu amigo, já é um pedaço dele."


Do face da Andréia Vieira

domingo, 21 de dezembro de 2014

Sossega coração

"Sossega, coração! 
Não desesperes! 
Talvez um dia, 
para além dos dias, encontres 
o que queres porque o queres. 

Então, livre de falsas nostalgias, 
atingirás a perfeição de seres."


Fernando Pessoa

domingo, 14 de dezembro de 2014

Coincidência?



Não acredito em coincidências, 

acredito em providências e mesmo que

sejam divinas, nem sempre são maravilhosas.




Con Izi

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Fernando Pessoa e a vida.

"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, 
dos tantos risos e momentos que partilhámos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos !"

Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Fernando Vieira.

Não, eu não prevejo o futuro,
Mesmo que amanhã eu morra.
Seria como se matassem a rainha e os guardiões
A branca de neve e os sete anões
E aquele feliz final de madorra.
Inda que mais a vida me dê vida,
Ou mesmo que eu amanhã morra,
Não posso prever o futuro...
Ao morder a maçã, o príncipe cairá duro, sem que ninguém o socorra
E suas sortes não serão as conhecidas...

Fernando Vieira